sábado, 19 de janeiro de 2013

Entre a vida, as ilusões e a morte


É estranho pensar que todos os momentos da vida de todas as pessoas levam a apenas um: a morte.
Todos a tratam como se nunca ela fosse chegar ou como se ela não existisse, e simplesmente acabam, ou melhor, acabamos nos deixando ser tomados pela rotina, iludidos pelas aparências e engolidos pelo nosso orgulho.
E de vez em quando, quando nos lembramos que isso tudo não terá mais sentido quando não estivermos mais aqui, logo damos um jeito de pensar em outra coisa, acreditando que não é boa coisa refletir sobre o assunto. Mas e quando não houver mais aparências, ou dinheiro? Tudo o que restará será o eu, nu para si mesmo e para o mundo.
Imagino que pensaremos em tudo o que fizemos, e nos arrependeremos o bastante para querer uma nova chance. Pensaremos em todos os abraços que não damos, os sorrisos que não compartilhamos, o amor que não demonstramos e o perdão que recusamos. Quão cegos podemos ser?
Simplesmente não nos damos conta, na maior parte do tempo, do que realmente vale a pena. Os melhores momentos da vida não são apenas os grandes, como o dia do casamento, ou o dia da promoção no trabalho e sim a primeira vez que você começa a perceber o que se sente por quem você ama, ou o dia de trabalho bem feito e a expressão de gratidão do chefe. Afinal, são desses pequenos momentos que vêm as grandes consequências e nós os ignoramos. Puf! Depois de um tempo somem de nossas mentes.
E no final? Podemos acabar apegados ao que temos, por não sabermos mais o que somos. É o risco assumido no momento em que escolhemos o mundo de fantasia em que tentam nos fazer acreditar, no qual quem mais aparece é o mais feliz.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Diálogos matutinos

 Trilha sonora

- O sol nasceu.
- Assim como o esperado. Assim como todos os dias.
- Você não gosta?
- Do sol?
- De vê-lo nascer, saber que ele não desistiu de nós.
- Como se isso significasse alguma coisa, é só mais uma estrela no meio de milhares de outras.
- Acho bom que ele tenha decidido iluminar a Terra hoje.
- Assim como todos os dias.
- Gosto de saber que ele me deu uma nova chance, você não?
- Chance de quê?
- Ora, chance de viver mais uma vez e, principalmente, chance de mudar.
- De nada adianta usar todas as chances para apenas falar e não tomar atitudes, um dia elas acabam.
- Pela primeira vez desde que o sol nasceu eu concordo com você, mas acabam só até descobrirmos que o sol e a vida são muito maiores do que pensamos, acho que não é um fim e sim um recomeço.
- Que loucura, estamos falando do sol ou da vida?
- Achei que se juntassem em uma coisa só.
- Acho que não.
- Bom, os dois envolvem novos amanheceres, chances e beleza, mesmo que escondida por algum problema, como em um eclipse solar, mesmo que escondido o sol continua a brilhar.
- Talvez você tenha razão, mas ainda acho muita filosofia para uma segunda de manhã.


sábado, 22 de dezembro de 2012

Finais, passado e confusão


Tanto tempo se passou sem que realmente víssemos ou nos déssemos conta: acabou.
Acabou e a sensação continua sendo de que tudo foi um sonho, como se nada existisse fora o presente.
O passado se tornou um sonho e o futuro continua sendo a incerteza. O que temos é o agora.
O passado foi colorido, divertido e doce, mas se foi. Dele restaram as lembranças e os sentimentos que guardamos, as pessoas que vimos, que deixaram cicatrizes ou feridas que o tempo ainda não curou. Tudo anda ficando para trás, é como começar do zero. Você consegue sentir também?
As pessoas não são mais as mesmas e ao concluir isso, a despedida parece ser mais fácil, mas não é.
Ainda lembraremos com um sorriso no rosto e um aperto no coração dos que ficaram para trás ou não nos acompanharam no caminho.
Depois de pensar tanto, a confusão persiste, assim como a saudade. E assim continuamos a vida com uma interrogação cravada na testa e esperando que alguma coisa se esclareça no próximo passo.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Gostaria de compartilhar esse vídeo com vocês, é um trecho do filme de Charlie Chaplin "The great dictator" que eu achei extremamente tocante, e de uma forma impressionante, um discurso muito atual apesar de se tratar de um filme antigo. Não consigo deixar de ver Chaplin como uma pessoa visionária e à frente do seu tempo, é incrível não fiquem com preguiça de ver, vale muito a pena.
  
                      
 

domingo, 25 de novembro de 2012

As ilustrações de Vania Zouravliov

Conheci o trabalho desse ilustrador (apesar do nome, é um homem) quando estava montando uma revista durante o curso de Comunicação Visual e simplesmente fiquei encantada com a complexidade dos desenhos. Ele tem entre suas influências a Bíblia, A divina comédia de Dante e índios norte americanos. Seu estilo é inconfundível e bem marcante, aos 13 anos ele já fazia inclusive, exibições internacionais. Em projetos recentes ele realizou trabalhos até para a Nathional Geographic.


Você pode ver outros trabalhos dele clicando aqui.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Tempo e indiferenças


Um ônibus em um dia quente, muito quente. O sol castigava a todos e ela não via a hora de finalmente chegar em casa, foi exatamente na hora em que se levantou e se deparou com sua primeira amiga, a garota que mora em frente à sua casa e com quem compartilhou as grandes brincadeiras na infância. Pena queque nem tiveram coragem de se olhar e quem dirá de se cumprimentar. Por quê?
Não se olharam no momento em que desceram e nem enquanto caminhavam, houve apenas o silêncio e a indiferença. Como pode a vida dar tantas voltas? As mesmas garotas que um dia fizeram planos, correram por aí e compartilharam segredos hoje são pessoas completamente diferentes e indiferentes. A pergunta é: Como isso foi acontecer? Como a cumplicidade se tornou o silêncio constrangido? Hoje provavelmente elas são pessoas incompatíveis, mas um dia estiveram próximas o bastante para uma fazer parte da vida da outra.
Se tornaram desconhecidas silenciosas, que nem sabem em que direção olhar quando seus olhos correm risco de se esbarrar. Mas tudo bem, esse é o caráter mutante e efêmero da vida, o que é real hoje pode simplesmente se dissipar amanhã. Nunca sabemos se o nosso melhor amigo hoje vai ser o melhor amigo de sempre ou para sempre.
Odeio histórias de indiferença, é uma pena eu estar nessa.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Alguma coisa boa pode funcionar

Bom, eu falei ontem sobre a nova fase do blog e uma das novas propostas é incluir a playlist, mostrando a vocês músicas, albúns ou clipes bacanas. A música da vez é de uma banda que eu amo e que vocês talvez até já conheçam: Two Door Cinema Club. Escolhi essa música para combinar com o astral otimista que estou nos últimos dias e é bem traduzido pela letra e pelo ritmo, aproveitem e entrem nessa também. A música é bem gostosa de ouvir, enfim pegue o fone e chegue mais.

A versão de estúdio, que tem alguns outros vídeos feitos pela banda da mesma música:


E a versão acústica:



terça-feira, 30 de outubro de 2012

Mudanças no blog


Quem acompanha o blog (se é que alguém acompanha) deve ter percebido que o ritmo das postagens vem diminuindo, eu posso explicar. Bom se eu alegasse falta de tempo não estaria sendo completamente sincera, mas não tiro uma parcela da culpa das pressões desse fim de ano, pois concluirei o ensino médio e tem o vestibular e todas essas incertezas que vocês conhecem ou vão conhecer um dia, e além disso também tenho me ocupado de outras coisas.
Bom, na verdade o que eu gostaria de dizer a vocês é que eu pretendo mudar um pouco o blog, mantenho ele desde 2009 mas a estrutura permaneceu basicamente a mesma durante todo esse tempo, apesar dos textos terem evoluído. Bom a proposta é postar diversas coisas que eu gosto, deixando ele mais completo. Claro que não abandonarei a escrita, minha paixão since 1995, mas vocês verão outros tipos de textos, entre eles pretendo escrever algumas crônicas e alguns textos em primeira pessoa, coisa que tive evitado nos últimos que escrevi. Resolvi realizar algumas mudanças, pois sempre tenho as encorajado mas nunca as apliquei aqui, não acho tarde para começar. Então, mão na massa.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Permita


Um pé à frente do outro, e só um pensamento dança entre meus neurônios " Não olhe para baixo, não olhe para baixo". Tudo bem, desde que esse pensamento ocupasse todo o espaço e evitasse que visse efetivamente todo o vazio abaixo da corda onde oscilavam os pés.
Ninguém pela frente e ninguém vindo em seguida, aquele era o gosto da solidão. Teria de enfrentar tudo na mais absoluta resignação e sem nenhuma ajuda física, teria que se contentar com os sussurros das estrelas acima da cabeça em uma torcida tímida, e ao mesmo tempo intensa.
Um passo à frente do outro, e o abismo logo abaixo já deixou de ser onipresente na dança mental. A preocupação agora é se tudo era real ou apenas um parêntese em uma linha temporal qualquer, ou quem sabe um sonho? Nunca sabemos, seja de olhos abertos ou fechados.
Então, se lembrou que ninguém seria capaz de fazer com que desmoronasse dali sobre o abismo, a não ser si mesmo ou deixasse que o fizessem. E teve uma breve sensação de paz, e me atrevo a dizer, confiança.
Depois... a vontade de abrir os braços como se fossem asas, deixar que fossem. Tudo não passa mesmo de um sonho?
Permita-se sonhar, permita-se amar, permita-se voar...


domingo, 26 de agosto de 2012

Viva a loucura

Carl Spitzweg:Der eingeschlafene Nachtwächter,1875

Um pé na frente do outro, uma olhada para o lado, e todo um cenário montado na mente com alguns elementos de realidade, mas não se engane, só alguns. Talvez só os passos, ou só a brisa. Tudo o que bastava era fechar os olhos, daquela maneira despreocupada, sem ligar para quem estivesse olhando o sorriso no canto da boca ou os olhos fechados em meio àquele fluxo acelerado de pessoas, ou de corpos, com a humanidade escondida em algum canto em meio a tanta bagunça que são os seres humanos, esses que sempre colocam o relógio acima de si mesmo, de suas necessidades.
Sim, o sentido da vida é o horário. Isso significa que a vida é o que está acontecendo enquanto o relógio está se movendo e nós estamos olhando. Acho que esse é um dos motivos pelo qual não devemos ter medo de sermos chamados de loucos ao nos preocuparmos (ou despreocuparmos) pelo menos por um minuto em sermos nós mesmos, pessoas que sentem, que se comovem por ver alguém deitado embaixo de uma marquise ou pelo menos pensam na criança que está no semáforo fazendo malabarismos. Tudo fica tão mais leve quando não nos preocupamos em ser as marionetes adormecidas, não é mesmo? 
Gosto da sensação de ser leve, sem me preocupar com tudo o que se espera de uma pessoa para que ela seja supostamente feliz, acho que estamos todos correndo na direção contrária, nos distanciando cada vez mais do que nos completa, estamos correndo da infância. Éramos bastante felizes aos 5 anos, e mesmo que não nos lembremos muito bem, sentimos saudades. E se éramos felizes, provavelmente fazíamos alguma coisa da maneira correta. Dávamos mais importância às pessoas, nos preocupávamos mais com o bem estar do outro e costumávamos nos divertir mais. 
É melhor ter a companhia das flores e dos animais, em uma suposta ou relativa solidão do que das pessoas que nos sufocam e nos impelem a acompanhá-las na corrida para a direção contrária, talvez pelo simples fato de não se lembrarem da direção correta. Estão tão perdidas quanto eu, mas com uma diferença: Não fazem questão de se encontrarem. O que é uma pena, mesmo que isso tenha caráter provisório, pois ninguém consegue ficar de olhos fechados por toda a eternidade.
Bonito é quando somos capazes de ter mais um pouco de fé só de olhar as estrelas e sabermos que somos parte delas. E acabamos pensando na maneira como um dia nos separamos delas, para nos tornarmos os seres que as observam silenciosamente alguns bilhões de anos depois. Não abro mão dessa beleza que parece sutil, mas que quando reparamos nela, ela nos toma de tal forma que acreditamos que tudo é possível. Não consigo não achar isso bonito, talvez seja coisa de gente louca pensar nessas coisas, mas se assim for, viva a loucura.

sábado, 18 de agosto de 2012

O labirinto


Fabienne Lin


E mesmo que passem os dias, as noites, os verões e os outonos do lado de fora da janela, e as coisas mudem relativamente, sempre acabamos voltando para os mesmos pontos, pelo menos internamente, sabe do que eu falo?
É quando você acha que é uma nova pessoa, mas depois de um tempo nota que apenas estava enganando a si mesmo e se sente da mesma forma de que você tanto quis fugir. Corri pelos corredores em busca das palavras que me faltavam, não olhei para trás, mas como em um labirinto voltei para o mesmo ponto de onde saí, sem nem mesmo saber se um dia estive ao menos perto da saída, da liberdade. E lá vou eu novamente, passar pelos corredores, quem sabe com um pouco mais de cautela, já que descobri que correr no impulso, só nos faz cansar sem sairmos do lugar, causa uma falsa sensação de “descomodismo”, se é que essa palavra existe, se não, me permito inventá-la. Mas vocês entenderam: falsa sensação de que saiu do lugar, geralmente caracterizada por um momento de entusiasmo, seguido de nenhuma atitude concreta que realmente mude as coisas. Ficamos em um eterno “deixar para amanhã” e nunca concluímos nada do que começamos, isso é cansativo no final das contas: Não fazer nada. O mundo não fica estagnado até o momento em que tomemos a iniciativa de fazer parte dele, e se não o fizermos rápido eles passará por nós e talvez seja tarde demais para alcançá-lo.
Mas aqui deixo um pequeno registro de uma nova tentativa, e lá vamos nós. 

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Once upon a dream


Engraçado mesmo é a forma como adiamos as coisas, adiamos por não reconhecer que a iniciativa é reconhecida, por preguiça e, principalmente por medo.
A insegurança de dar um passo a frente e deixar para trás todo o espaço conhecido, toda a acomodação e o que estamos acostumados nos deixa estagnados. Não nos damos conta que mudanças tem que ocorrer e não vale à pena esperamos que sejamos obrigados à elas, ou esperarmos recomeçar em datas específicas e dizemos "Vou mudar minha vida no próximo ano", "Vou estudar no próximo semestre", entre outras coisas do gênero que frequentemente saem por nossas bocas. A questão é: Teremos que nos adaptar e fazer um esforço para adequar essas mudanças em nós, e o que adianta esperar o dia 1 de janeiro? Teoricamente o esforço será o mesmo, e adiar só vai fazer com que nos ocupemos com coisas que não nos levarão na direção a qual queremos ir, nesse caso pararemos onde a correnteza nos levar, o que pode a chegar a ser patético. Mas essa é a consequência de desistirmos dos nossos sonhos, pelo simples fato de adiar fazê-lo acontecer.