segunda-feira, 6 de agosto de 2012
Once upon a dream
Engraçado mesmo é a forma como adiamos as coisas, adiamos por não reconhecer que a iniciativa é reconhecida, por preguiça e, principalmente por medo.
A insegurança de dar um passo a frente e deixar para trás todo o espaço conhecido, toda a acomodação e o que estamos acostumados nos deixa estagnados. Não nos damos conta que mudanças tem que ocorrer e não vale à pena esperamos que sejamos obrigados à elas, ou esperarmos recomeçar em datas específicas e dizemos "Vou mudar minha vida no próximo ano", "Vou estudar no próximo semestre", entre outras coisas do gênero que frequentemente saem por nossas bocas. A questão é: Teremos que nos adaptar e fazer um esforço para adequar essas mudanças em nós, e o que adianta esperar o dia 1 de janeiro? Teoricamente o esforço será o mesmo, e adiar só vai fazer com que nos ocupemos com coisas que não nos levarão na direção a qual queremos ir, nesse caso pararemos onde a correnteza nos levar, o que pode a chegar a ser patético. Mas essa é a consequência de desistirmos dos nossos sonhos, pelo simples fato de adiar fazê-lo acontecer.
quarta-feira, 11 de julho de 2012
O espelho
Me peguei lendo livros aos quais eu já havia lido, procurando por coisas que eu já havia escrito. Não entendi muito bem o motivo, mas foi algo sutil que me fez refletir sobre a razão disso, justo eu, uma pessoa que tanto aprecia o presente e o que está por vir. Foi quando finalmente me deparei com o sentimento de perder algo no caminho de casa, uma coisa que você simplesmente deixa cair e não se dá conta do que está deixando para trás, uma coisa que você nem se lembra o que é, mas que no final das contas a ausência daquilo te deixa vazio e estranho, como se você tivesse se tornado outra pessoa nesse meio tempo.
Você se olha no espelho vê que algumas coisas melhoraram mas que o olhar está um pouco diferente, cansado e sem a inocência de tempos atrás. Para onde foram os sonhos absurdos em que acreditávamos? Para onde foi o sorriso cúmplice? Nenhuma beleza no mundo é tão importante e bonita quanto a da alegria e da delicadeza, delicadeza de gestos, palavras e segundos. Olhar o rastro que tudo isso formou acaba por nos acalmar, e ao mesmo tempo nos tornar inseguros, onde nos levará o abandono do que realmente importa pelo caminho?
Um conflito irritante de pensamentos e sensações deixa tudo ainda mais incerto, é como um medo de se perder definitivamente no reflexo no espelho e esquecer do que o está encarando. Uma saudade inexplicável das coisas de verdade ao invés das de plástico, das pessoas de verdade ao invés das sintéticas, dos momentos sinceros que acabaram se tornando cada vez mais raros. Hoje me olhei sem a ajuda do espelho e não gostei tanto do que vi, senti culpa por ter deixado a pessoa inocente escapar, por ter deixado coisas tão importantes, pessoas tão importantes de lado sob o pretexto de não ter tempo, mas não havia notado que antes de matar o que eu amo estava matando a mim mesma. Me desenrolo sob uma chuva de desculpas mas sei que desculpas não são máquinas do tempo, infelizmente.
domingo, 10 de junho de 2012
Preguiça, tempo e...
Dia de preguiça, de falta de perspectivas e essas coisas que nos impedem de sair do estúpido lugar de sempre, mas não é de propósito, não exatamente. É uma espécie de falta de forças e de vontade, uma coisa meio estranha na verdade, quando até respirar acaba sendo algo cansativo e um incômodo peso.
Todas as suas forças acabam se concentrando em ilusões de como seria não ser você mesmo, nem que fosse por um tempo breve, algumas férias talvez?
Um tempo para respirar, para olhar o que restou aqui dentro depois de tantos dias transcorridos sem que eu me desse conta da minha própria existência, trabalhando no automático. O problema do automático é que quando você se liga, você acaba percebendo que precisa cumprir as funções de sempre, mas simplesmente não tem mais a força de resistir, qualquer coisa que seja, um sim ou um não. Tanto faz, tudo parece estar naqueles patéticos tons de cinza da rotina.
E você se sente vivendo em uma vida que não é sua, que não é profunda o bastante, não há sonhos o bastante, e nem cores o bastante, uma vida que não é o bastante. Cansei de ser sufocada pelas circunstâncias, e francamente? Não sei o que fazer. Não é fácil se admitir frágil, pelo menos para mim, mas aqui estou eu admitindo minha ignorância e minha momentânea impotência em relação ao sufocamento que ainda sinto.
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Breve reflexão sobre pequenas partes do ser humano
Não acho certo tratar as pessoas apenas por conveniência, meros objetos podendo ser descartados, esquecidos, trocados, pegos de volta e depois jogados no fundo da gaveta. Não é justo, pessoas têm sentimentos e merecem no mínimo serem respeitadas ao invés de manipuladas e diminuídas pelas outras.
Mas o que mais me irrita em tudo isso é a nossa sociedade valorizar essas pessoas, como dizia Renato Russo, "Por que é mais forte quem sabe mentir?". Vemos todos os dias pessoas que pisaram nas outras continuarem por cima, nossa política não poderia ser um exemplo melhor. Porém não é só isso, tudo começa dentro de cada círculo de pessoas, ou para ser mais exata, tudo começa dentro das próprias pessoas individualmente.
Tem de haver algum tipo de justiça, eu sinceramente acredito nela, mesmo que não a vejamos ela tem que existir, senão a terceira lei de Newton, ação e reação, não estaria correta. Todo universo funciona dessa maneira, por que com a raça humana seria diferente? A exceção? Acho que não devemos ser egocêntricos a ponto de acreditar que as leis universais não se aplicam a nós.
Na verdade, eu prefiro manter uma distância segura desse tipo de pessoa que vê as outras como peças para serem manipuladas a fim de conquistar seus objetivos. Não sou do tipo que gosta de ser manipulada, nem que seja pelas circunstâncias.
Para essas pessoas eu reservo minha pena, que mesmo que falem do amor não sabem o que ele é. Estarão sempre concentradas em um jogo de xadrez jogado por apenas uma pessoa, e o que resta é a solidão e as peças, apenas isso.
domingo, 29 de abril de 2012
Um texto sem preocupação com estética, apenas sinceridade e reflexão
Quando sentimos aquela vontade, aquela saudade, de estar falando algo dispensável perto de um bocado de gente indispensável. Rir de algumas besteiras, sem essas coisas que estão nos sufocando ultimamente.
Quero a possibilidade de uma risada sincera, e não uma maldosa ou irônica. Descobri que isso não anda me fazendo bem, já não basta o resto do mundo para nos deixar pra baixo?
Devíamos aproveitar melhor o tempo com quem é importante.
Não achei que ia conseguir levar tudo tão a sério um dia, e devo admitir que não é divertido. Tudo ia melhor, e ocorria mais facilmente quando eu não me preocupava tanto. Descobri o que dá certo pra mim: Deixar que as coisas aconteçam sem apertar nada entre os dedos, pois a matéria do universo não pode ser contida nos dedos do egoísmo.
As coisas não funcionam como pensamos, por mais que a gente insista nos erros. Cuidando de dentro o resto vem naturalmente. Decidi ser feliz, e isso é o que importa.
"As pipas sobem mais contra o vento, não a favor dele." - Winston Churchil
domingo, 22 de abril de 2012
Teatros, luzes e minúcias
Não adianta forçar as pessoas terem uma visão que não querem, e desistirem de ser marionetes em um teatro qualquer em alguma parte do mundo, teatro que é inaugurado com alegria, mas que na maioria das vezes perde a cor. As luzes se apagam, e tudo o que resta são lembranças de alguns dias de glória, que por sua vez também se apagarão. É assim, o público não se lembra de personagens mortos, infelizmente.
É estranho pensar que hoje somos o público e os atores, sendo que amanhã seremos a foto velha guardada na gaveta coberta por aquela espessa camada de poeira típica de tudo o que já não frequenta mais a mente das pessoas.
Quanto tempo deixamos fluir, sem olharmos para o lado com atenção o bastante para vermos quando alguém estende a mão? Apenas fechamos os olhos e deixamos a dor de dentro tomar todo o espaço, caramba isso não é justo, não é justo com ninguém e principalmente com nós mesmos.
Devíamos reparar no sorriso que é direcionado a nós, no abraço de quem se preocupa e na vida em volta de nós, no canto dos pássaros, no escorrer da água e no tocar do vento nas nossas faces, sem complicações. Isso deveria ser o suficiente.
domingo, 18 de março de 2012
Breve loucura
O céu estava roxo, daqueles bem parecidos com os tons de quando se mistura roxo com um pouco de amarelo, em um degradê perfeito até o azul. Um céu como aquele só poderia existir depois de uma chuva torrencial. A minha única reação foi encará-lo como se ele pudesse me ver, pequena estupidez, admito, mas não se pode classificar os sentimentos.
Nenhuma palavra seria capaz de expressar com exatidão a grandeza, a felicidade, a falta de ar ao simplesmente estar ali, a consciência de fazer parte daquilo, ser parte da imensidão do universo repleto de planetas, estrelas, buracos negros e vida, muitas vezes silenciosa e ignorada. Em lapsos de felicidade tento traduzir em palavras o indescritível, mas coisas são alcançadas através de tentativas, assim o dizem.
A brisa trouxe alguma dose de irrealidade ao mexer com meus cabelos, e descobri que a irrealidade é tão maravilhosa e sutil que não pode ser algo inexistente, e sim alguma espécie de realidade aumentada.
Na escuridão tentei encontrar a fonte da batida que tomava todo o espaço, procurei na lua mas vi que o som vinha de mim, o som de algo que batia dentro de mim: Um coração, aquele que eu havia esquecido que estava ali.
O que se ouviu a seguir foi um sussurro, dirigido a ninguém em particular, dizia algo como "Muito obrigado". Abaixei a cabeça e alguma coisa brotou, (quem disse que só se brotam lágrimas?) um sorriso naquele instante parecia apropriado.
- Tahiane Libório.
sexta-feira, 16 de março de 2012
Delírios de uma noite marcada pelo cansaço e melancolia.
Peso, sons de ossos se partindo e últimos suspiros. Ok, talvez os ossos não estejam se partindo audivelmente, assim como as perspectivas. Ninguém ouve, ninguém sabe, ninguém sente. É assim estar em uma multidão e se sentir completamente só, sem nenhuma alma viva disposta a simplesmente viver, ser humana e autêntica sem rótulos e besteiras, competições vazias, ações vazias, frases vazias e vidas vazias. É triste, quando toda a humanidade nas pessoas se transforma em algo mecânico e sem vida sob o pretexto de que está tudo bem, quando não está.
Todos sorrindo por fora e gritando por dentro, me desculpem mas não quero fazer parte desse mundo. Estou me retirando para um mundo à parte chamado eu, pelo menos ali posso sorrir e chorar sem os olhos atentos que julgam e falam de tudo por mais desinteressante que seja, pois não têm nada melhor para dizer mesmo. Cansei do mundo raso, retiro-me no silêncio para não desperdiçar palavras.
Todos sorrindo por fora e gritando por dentro, me desculpem mas não quero fazer parte desse mundo. Estou me retirando para um mundo à parte chamado eu, pelo menos ali posso sorrir e chorar sem os olhos atentos que julgam e falam de tudo por mais desinteressante que seja, pois não têm nada melhor para dizer mesmo. Cansei do mundo raso, retiro-me no silêncio para não desperdiçar palavras.
domingo, 19 de fevereiro de 2012
Um banho...
Banho de sal grosso, banho de lua, banho de mar, banho... De qualquer coisa que tire essa camada espessa de confusão e do que deixou tudo tão pesado. Acontecimentos, sentimentos e pensamentos que parecem pesar mais de 100 quilos, que tornam até o fato de respirar tão difícil, tão descompassado.
O que fica evidente então é a claustrofobia, não suportar ficar preso em uma mente ou num círculo delas. No final das contas você acaba fazendo idiotice só para não mostrar que você se importa, quando se importar é tudo o que você faz, mas não sabe o porquê.
A jaula que todos criaram em si mesmos, confinados em seus próprios problemas e sentimentos, onde não se permitem escutar os gritos de quem está ao seu lado pois se preocupam em gritar mais alto na ânsia de serem ouvidos. A paciência se esgota, você fala verdades grosseiras, as pessoas não lhe entendem e tudo fica pesado e turvo.
Aí vem a hora da nostalgia, da hora em que você se lembra de como tudo era leve e fácil. Como os sorrisos vinham naturalmente e você tinha certeza sobre tudo, de quando você não era um poço de contradições, quando ainda havia alguma razão no que você tinha para dizer. Era tudo tão prático, fácil e sem demais complicações, tudo tão ingênuo, sonhador e infantil... Mas o mundo é naturalmente frio, é uma questão de adaptação fazê-lo um lugar mais aconchegante, talvez um banho trará isso. Um mundo aconchegante com direito a cobertor, cinema, arte, sorrisos, abraços e cheiro de chocolate quente não seria uma má ideia.
domingo, 5 de fevereiro de 2012
Everybody is a lie.
Houve uma época em que não se sabia o que era ser normal, uma época em que coisas como sentimentos exerciam força quase nula e que a confiança era artigo de luxo. Ser normal... era um conceito distante e temido.
Mas algo aconteceu, aos poucos 'normalidade' deixou de ser um conceito e se tornou algo tangível. Sim, era uma coisa temida e com motivos para ser. Se importar machuca, te torna inseguro e coisas mínimas te fazem mal. Talvez a anormalidade representasse um estado de espírito mais feliz ou fosse mais fácil de se lidar. Confiar é perigoso, de uma maneira ou de outra você se decepciona. Talvez a confiança seja levada a outro nível, um nível em que se espera que as pessoas cumpram suas promessas, que sejam sinceras e façam o que você espera delas. Não sei em que momento assimilei ter confiança nas pessoas, mas acho que está na hora de isso ser revertido, uma maneira de proteção. Que seja, o porto seguro de todos começou a se afundar lentamente.
O que é seguro demais pode não ser tão surpreendente, mas correr riscos demais não é tão encantador ou poético: Lindo de se falar e não tão bonito de se viver.
Não digo que riscos são desnecessários. Só digo que esses riscos não devem ser assumidos em relação a pessoas pois elas são imprevisíveis, e sim em relação a atitudes e escolhas próprias.
Muito bem, sou a antiga anormal que não se importa com os sentimentos, nem com os meus e nem com os de quem diz se importar, dizem da boca para fora. Um dos meus personagens favoritos sempre diz 'Everybody lies', mas o certo provavelmente seria ' Everybody is a lie'.
Mas algo aconteceu, aos poucos 'normalidade' deixou de ser um conceito e se tornou algo tangível. Sim, era uma coisa temida e com motivos para ser. Se importar machuca, te torna inseguro e coisas mínimas te fazem mal. Talvez a anormalidade representasse um estado de espírito mais feliz ou fosse mais fácil de se lidar. Confiar é perigoso, de uma maneira ou de outra você se decepciona. Talvez a confiança seja levada a outro nível, um nível em que se espera que as pessoas cumpram suas promessas, que sejam sinceras e façam o que você espera delas. Não sei em que momento assimilei ter confiança nas pessoas, mas acho que está na hora de isso ser revertido, uma maneira de proteção. Que seja, o porto seguro de todos começou a se afundar lentamente.
O que é seguro demais pode não ser tão surpreendente, mas correr riscos demais não é tão encantador ou poético: Lindo de se falar e não tão bonito de se viver.
Não digo que riscos são desnecessários. Só digo que esses riscos não devem ser assumidos em relação a pessoas pois elas são imprevisíveis, e sim em relação a atitudes e escolhas próprias.
Muito bem, sou a antiga anormal que não se importa com os sentimentos, nem com os meus e nem com os de quem diz se importar, dizem da boca para fora. Um dos meus personagens favoritos sempre diz 'Everybody lies', mas o certo provavelmente seria ' Everybody is a lie'.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Aquele eu
Sinto falta das tardes solitárias, das palavras articuladas e de tudo que fez parte do que eu fui um dia. Aquele eu que se desgastou, aquele de que eu mais gostava. O eu poeta, o eu completamente sincero em seus sentimentos, o eu certo de suas atitudes.
Aquele eu que sonhava voar e que não tinha medo de cair, o que tinha medo do mundo mas sabia viver bem nele.
Agora tudo se transformou, e eu gostaria de resgatar aquela antiga maneira de ver o mundo, resgatar a pessoa que se afogou em algum momento no meio das preocupações, das inseguranças, das futilidades e das conversas vazias, mesmo que de início não parecessem ser.
Ainda há esperança de salvar a pessoa adormecida que ainda deve morar em algum lugar por aqui, a pessoa que eu devo lutar para deixar viva, a que ainda dá sinais de existir.
A solução seria deixar de lado tudo o que me desvia de quem eu deveria ser, mas as coisas não são tão fáceis quanto falar.
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Nostalgia na madrugada.

Ai bateu uma saudade sabe? De tudo aquilo de que eu disse um dia.
Daqueles sonhos conturbados, das conversas entrecortadas, dos sorrisos que não tinham fim, das especulações, do perfume dos livros que me levavam pra longe, das músicas que hoje não têm o mesmo efeito.
Como se nada estivesse completo, como se faltasse uma parte. A parte que eu deveria ser, que eu fui um dia talvez, quando eu tinha tempo de ser. Eu perdi toda a noção de tempo, tudo se tornou um lampejo em que não temos muito tempo para pensar, vivemos por instintos e reflexos.
Isso uma hora acaba nos sufocando, e eu realmente me preocupo com isso não sou do tipo que gosta de ser controlada, nem que seja pelas circunstâncias.
A rotina tira a cor das coisas, faz a gente esquecer da nossa essência, do que sempre corremos atrás. Saudade. De ser livre.
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