sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Nostalgia na madrugada.


Ai bateu uma saudade sabe? De tudo aquilo de que eu disse um dia.
Daqueles sonhos conturbados, das conversas entrecortadas, dos sorrisos que não tinham fim, das especulações, do perfume dos livros que me levavam pra longe, das músicas que hoje não têm o mesmo efeito.
Como se nada estivesse completo, como se faltasse uma parte. A parte que eu deveria ser, que eu fui um dia talvez, quando eu tinha tempo de ser. Eu perdi toda a noção de tempo, tudo se tornou um lampejo em que não temos muito tempo para pensar, vivemos por instintos e reflexos.
Isso uma hora acaba nos sufocando, e eu realmente me preocupo com isso não sou do tipo que gosta de ser controlada, nem que seja pelas circunstâncias.
A rotina tira a cor das coisas, faz a gente esquecer da nossa essência, do que sempre corremos atrás. Saudade. De ser livre.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Pessoas, superficialidade e blábláblá

Acho que descobri de fato o que mais me irrita nas pessoas. É a superficialidade, não é tão difícil perceber isso nas pessoas, é só olhar se elas sorriem apenas quando os outros estão olhando, se falam demais e não dizem nada. Discursos vazios, palavras sem significado.


Elas olham como se fossem melhores que você, mas eu sinceramente não ligo. Tenho pena, na verdade. Mas o que eu poderia fazer? Creio que nada, a mudança de comportamento cabe apenas a eles, quem sou eu para mudar quem quer que seja?


Mesmo assim não me sinto bem no mundo das aparências, ele me sufoca, me faz mal. Ninguém deve ser tão ruim para se mostrar apenas através de máscaras, nenhuma vulnerabilidade deve ser tão intensa para que precise se mostrar superior, ou até arrogante para escondê-la. Pessoas são assim, frágeis e ao mesmo tempo fortes. Não há trevas onde não exista luz, é só uma questão de observar com o mínimo de atenção, e não acredito que haja luz sem trevas, não nas pessoas. As vezes é tudo tão patético, que parecemos estar em cena, improvisando discursos e inventando pensamentos, tudo para mostrar um conteúdo que está em falta. É irônico, engraçado, patético. Acho que falta palavra para definir melhor: patético.


Prefiro sinceridade à sorrisos forçados, prefiro a verdade em vez de diversos "eu te amo" que não existem.


Em alguns dias, tudo o que precisamos é ficarmos sozinhos, ouvir os pássaros do lado de fora da janela, aproveitar a chuva sem receio em se molhar, sem medo de si mesmo.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Devaneios tolos


Sensação de precisar agir, mas não saber como ou até mesmo não ter forças para tal. É como se passasse por um túnel sem fim, em que eu só visse rostos borrados, culpa da velocidade em que a mente se move.
Vozes ao fundo, não sei porque tenho vontade chorar, pois ao mesmo tempo me sinto envergonhada por não ter motivos para isso, embora vontade não falte.
Caos.
Caos, desorganização, objetos escondidos. Fácil arrumar quando essas características representam um quarto bagunçado, mas não são tão simples quando se tratam de pensamentos fora de ordem.
O movimento repetitivo me deixa tonta, prestes a cair no chão com a sensação de que não irão me reerguer. Vão apenas olhar com alguma expressão de pena, e logo irão esquecer. Todo mundo tem uma parte que ninguém conhece, e essa parte pelo menos em mim, se sente sozinha. Já esteve mais, mas na verdade penso se o nosso mundo é um lugar onde a felicidade plena pode ser conquistada. Plena, não em doses.
Mesmo em doses a felicidade traz a verdadeira cor e o verdadeiro propósito que perseguimos, o motivo pelo qual realmente vivemos e lutamos, mesmo que nem sempre façamos isso da maneira correta.

sábado, 22 de outubro de 2011

Sorriso, reflexos e borboletas


Um sorriso involuntário surge, como um sonho no meio da noite e um suspiro em meio a uma lembrança. A maneira com que as coisas se movem mostram como as engrenagens da vida convergem para lugares estranhos que nunca pensamos que chegaríamos.
Um reflexo, um lampejo de insanidade atravessa a mente e a única coisa que me ocorre é sair correndo numa estrada vazia, com o vento nos cabelos e muitas gargalhadas. Desejo estranho, não?
Efeitos provocados pelos sons, pelas notas nos fazem submergir e emergir na mente que se move tão rápido, e não se desacelera, apenas se acalma e consegue se enxergar. Não se engane, se ver é diferente de se entender. A vida é menos pesada quando sabemos substituir a palavra eu por nós e algumas queixas por obrigado. É só fechar os olhos, não esquecer de que quando éramos crianças tudo o que queríamos era conhecer o mundo, nos lembramos da maneira que gostaríamos de voar apenas observando as borboletas, acreditando que tudo que começasse com Era Uma Vez já havia acabado, um dos poucos equívocos infantis: Não acabou, nem sabemos se já começou.

domingo, 2 de outubro de 2011

Ela sorriu.


Um sorriso torto, sem motivo. Se sentia bem, não necessariamente satisfeita.
Olhou para um lado, não havia ninguém para compartilhar seu sorriso, olhou para o outro e viu a luz, as sombras, reflexos, e vozes ao longe. Mas ela optou ficar ali, onde as vozes não podiam contaminá-la, preferiu ficar onde as lembranças tivessem cores mais vivas e sons mais suaves.
Ela se lembrou de algumas coisas que provavelmente ninguém mais se lembraria, riu mais uma vez de como tudo era engraçado, e até irônico às vezes, mas seu sorriso se recolheu quando se deu conta de que as coisas mudaram.
Mas não importava, estava ali para olhar o passado, nem que fosse por uma janela desfocada em sua mente. Viu como cada sorriso era o paraíso, e percebeu como as coisas sempre parecem ser melhores quando já se tornaram passado e que provavelmente o "agora" parecerá mais bonito em algum futuro próximo ou distante. Lembrou-se dos sonhos, e não entendeu o porque de ter se lembrado da luz do Sol em meio àquelas brincadeiras, histórias e sorrisos. Olhou para o chão no momento em que uma gota caía sobre ele, levou as costas de sua mão até suas bochechas, elas estavam molhadas. Riu mais uma vez, achou engraçado o fato de ser tão frágil mesmo se sentindo tão forte.
Se levantou de seu banco na sacada e andou, andou alguns metros que mais pareceram quilômetros, pois tudo ao redor se mexeu em câmera lenta durante a caminhada. Ela parou perto do lago, olhou o horizonte e se sentiu em paz. Se ajoelhou e viu seu reflexo, estava mais velha do que da última vez em que se via naquele espelho d'água. Talvez tivesse se passado muito tempo, ou talvez o tempo tivesse transcorrido apenas em sua mente e em seu coração. Estava mais madura, disso não tinha dúvida. A vida a havia levado até aquele ponto, parecia insensato voltar ao ponto de partida, e acima de tudo não sabia onde mais seus passos a levariam.
Estava ali, estava calma quando a brisa mexeu em seus cabelos, era como se estivesse fora do mundo, não houve o que dizer, ela apenas sorriu.

Tahiane Libório

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Não mesmo


Está tudo tão estranho ultimamente, é como se eu estivesse me afogando em uma vida que não é profunda o bastante. Os olhos me preocupam e não é só. As frases entrecortadas em tom de brincadeira talvez sejam mais verdadeiras do que aquelas que são ditas no frio das lágrimas, te sinto distante mas talvez a culpa seja minha, ela é minha.
Sinto saudades das risadas, das confidências, das risadas, das doideiras, das risadas... Me desculpe se estive distante, é que de repente eu me vi sozinha e me senti na necessidade de mudar isso e descobri pessoas maravilhosas.
Mas ainda sim sinto falta de você, exatamente como era. Sabe? O problema provavelmente é comigo, você não foi a única que me viu sair do campo de visão, mas é que tudo estava sempre tão confuso, e continua, que eu simplesmente me vi em um beco sem saída, ou melhor, num beco com caminhos demais para que eu escolhesse apenas um. A questão é que eu não quero, não posso, escolher um caminho que você não esteja, um que não tenha todas aquelas risadas e conversas cabeça. Não mesmo.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Branco, folha e tinta.


Uma página em branco.
Poucas coisas podem ser mais assustadoras do que uma página em branco, a incógnita do que será escrito e todas essas coisas de quem não tem controle sobre as próprias palavras.
A vida é uma página em branco: não sabemos o que virá na próxima linha, apenas sabemos que o que foi escrito na linha de cima não pode ser apagado.
Podemos fazer ilustrações nessa página em branco, afinal, é isso que as pessoas fazem. Elas olham para as imagens e não ligam para o conteúdo por mais que digam o contrário.
Podemos juntar as páginas meio escritas, meio desenhadas para que a história se complete efetivamente, ou podemos fazer nossa história apenas citando os nomes de todos aqueles que passam por nossa vida.
O nome de algumas pessoas se desbotarão com o tempo, mas se forem realmente importantes jamais serão apagadas da mente de quem escreveu, de quem viveu nas linhas.
Essa página em branco pode ser ocupada de boas lembranças, mas ao mesmo tempo em algumas páginas as lágrimas que se derramaram estarão marcadas borrando a tinta que repousa sobre o papel, como se fosse a folha fosse eterna, como se pudesse ser.
Tahiane Libório.

domingo, 21 de agosto de 2011

Sorry.


Porque você faz isso comigo?
Sei que a culpa não é sua, mas me sinto tão sozinha. Gostaria de te ter aqui, apenas você. Sem futilidades, gostaria de ter seu espírito aqui, para me abraçar com apenas um sorriso.
Sinto saudades, muitas saudades.
Me desculpe se não te procuro mais como antes, talvez eu tenha me acostumado com a minha solidão, por favor não deixe que isso continue.
É como se tudo tivesse desabado e tivéssemos nos tornando pessoas estranhas, acredito que não podemos deixar a vida fazer isso conosco, mas não consigo pensar em uma saída quando penso que seu olhar fica a cada vez mais frio e sua cabeça mais distante. Me desculpe se não pude ser o suficiente, mas é que você estava tão longe, agora seus interesses são outros mas as lágrimas não querem deixar de cair.
Me desculpe se tenho sido fria com você, é que não sei me comportar ou expressar. Exatamente por isso eu escrevo, é a minha melhor forma de expressão.
Me desculpe por te preocupar mais ainda, você tem seus problemas. Me desculpe, sinto sua falta.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Plenitude, castelos e máscaras.


E novamente a sensação de asfixia.
A prisão do cotidiano, dos tons de cinza que ofuscam todos os sorrisos que ao se tornar lembranças parecem estranhamente vazios.
Os castelos que todos construíram parecem-me muito frágeis, a máscara com que se escondem me fazem pensar se são felizes. Não ouso perguntar, negariam qualquer coisa que deixasse a máscara deslizar nem que fosse um centímetro pelo rosto.
Mas isso diz respeito apenas a elas, não tenho nada a ver com isso.
Eu e essa mania de analisar tudo, mas não posso me queixar: ao menos tenho opiniões. E vontades.
Vontades de viver tudo aquilo que não consigo, tudo que gostaria, a plenitude. Mas é tudo tão temporário, e isso me assusta mais uma vez.
Só me resta que os sonhos tragam o que eu gostaria que fosse realidade.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Primeiro ato


Parei à porta, observei como já estava gasta. Assim como as vidas ali já haviam sido gastas pelo tempo.
Como em um sonho aquela porta se abriu sem que eu tocasse nela, e o cheiro de morangos me invadiu , não entendi o motivo. Por que morangos? Isso não me lembrava nada tão marcante, talvez uma lembrança vaga de alguma canção...
Ao adentrar o quarto tive um vislumbre de alguém ajoelhado junto a parede. Era uma criança, uma menina.
Seus cabelos negros encobriam seu rosto, ela olhava em direção a luz que vinha da janela que iluminava uma caixa que repousava sobre a mesa.
A pequena garota como num impulso, estendeu sua mão em direção à minha. Pude sentir o quão gelados estavam seus dedos tão fininhos, tentei segurá-los firmemente para passar algum calor para a pequena de cabeça baixa.
Nos sentamos ali, na beira da cama, lado a lado. Sua mão direcionou a minha até a caixa, a qual abri com cuidado. Cuidado similar de quem pisa em ovos.
Ainda cautelosa abri a caixa e tudo que vi foi eu mesma, a caixa continha um espelho. Não entendi o significado daquilo.
Quando de repente olhei nos olhos da garotinha percebi que eram meus olhos. Meus olhos desviaram para o grande espelho que havia na parede, e o que eu vi não deveria me assustar da maneira que o fez.
Por um momento eu era a garotinha e a garotinha se transformara no que eu era.
Ela segurou minha mão, provando que ela via o quanto eu me sentia vulnerável mesmo quando a luz que entrava pela janela se refletia em meus olhos. E com um beijo na minha bochecha ela falou:
Não se esqueça de quem você é, nunca.
Talvez eu sempre tivesse consciência de que a única pessoa que poderia mudar o modo que eu olhava para o mundo era eu.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

O que significa?


O que significa?
A lágrima por trás do sorriso,
o sentimento por trás da indiferença,
a raiva por trás da doçura?

A imensidão por trás do olhar, ou
a confusão por trás dos pensamentos.
A verdade por trás do estereótipo,
a saudade por trás das palavras?

Não posso dizer o que significam, pois isso é subjetivo. Não significam a mesma coisa para mim e para você, mas mesmo assim não significam coisas diferentes. Eu disse algo sobre confusão? A sim, claro que disse. Não podemos esquecê-la, ela não nos permite.

O que sabemos sobre o real significado das coisas? Apenas pensamos e repensamos à respeito sem nunca chegar a uma conclusão.

O que significa o laço de uma amizade,
um sorriso escondido,
um gesto desesperado ou até mesmo,
um sonho roubado?

É frustrante não saber as respostas para as próprias perguntas.