Bom, na verdade o que eu gostaria de dizer a vocês é que eu pretendo mudar um pouco o blog, mantenho ele desde 2009 mas a estrutura permaneceu basicamente a mesma durante todo esse tempo, apesar dos textos terem evoluído. Bom a proposta é postar diversas coisas que eu gosto, deixando ele mais completo. Claro que não abandonarei a escrita, minha paixão since 1995, mas vocês verão outros tipos de textos, entre eles pretendo escrever algumas crônicas e alguns textos em primeira pessoa, coisa que tive evitado nos últimos que escrevi. Resolvi realizar algumas mudanças, pois sempre tenho as encorajado mas nunca as apliquei aqui, não acho tarde para começar. Então, mão na massa.
terça-feira, 30 de outubro de 2012
Mudanças no blog
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
Permita
Um pé à frente do outro, e só um pensamento dança entre meus neurônios " Não olhe para baixo, não olhe para baixo". Tudo bem, desde que esse pensamento ocupasse todo o espaço e evitasse que visse efetivamente todo o vazio abaixo da corda onde oscilavam os pés.
Ninguém pela frente e ninguém vindo em seguida, aquele era o gosto da solidão. Teria de enfrentar tudo na mais absoluta resignação e sem nenhuma ajuda física, teria que se contentar com os sussurros das estrelas acima da cabeça em uma torcida tímida, e ao mesmo tempo intensa.
Um passo à frente do outro, e o abismo logo abaixo já deixou de ser onipresente na dança mental. A preocupação agora é se tudo era real ou apenas um parêntese em uma linha temporal qualquer, ou quem sabe um sonho? Nunca sabemos, seja de olhos abertos ou fechados.
Então, se lembrou que ninguém seria capaz de fazer com que desmoronasse dali sobre o abismo, a não ser si mesmo ou deixasse que o fizessem. E teve uma breve sensação de paz, e me atrevo a dizer, confiança.
Depois... a vontade de abrir os braços como se fossem asas, deixar que fossem. Tudo não passa mesmo de um sonho?
Permita-se sonhar, permita-se amar, permita-se voar...
domingo, 26 de agosto de 2012
Viva a loucura
Carl Spitzweg:Der eingeschlafene Nachtwächter,1875
Sim, o sentido da vida é o horário. Isso significa que a vida é o que está acontecendo enquanto o relógio está se movendo e nós estamos olhando. Acho que esse é um dos motivos pelo qual não devemos ter medo de sermos chamados de loucos ao nos preocuparmos (ou despreocuparmos) pelo menos por um minuto em sermos nós mesmos, pessoas que sentem, que se comovem por ver alguém deitado embaixo de uma marquise ou pelo menos pensam na criança que está no semáforo fazendo malabarismos. Tudo fica tão mais leve quando não nos preocupamos em ser as marionetes adormecidas, não é mesmo?
Gosto da sensação de ser leve, sem me preocupar com tudo o que se espera de uma pessoa para que ela seja supostamente feliz, acho que estamos todos correndo na direção contrária, nos distanciando cada vez mais do que nos completa, estamos correndo da infância. Éramos bastante felizes aos 5 anos, e mesmo que não nos lembremos muito bem, sentimos saudades. E se éramos felizes, provavelmente fazíamos alguma coisa da maneira correta. Dávamos mais importância às pessoas, nos preocupávamos mais com o bem estar do outro e costumávamos nos divertir mais.
É melhor ter a companhia das flores e dos animais, em uma suposta ou relativa solidão do que das pessoas que nos sufocam e nos impelem a acompanhá-las na corrida para a direção contrária, talvez pelo simples fato de não se lembrarem da direção correta. Estão tão perdidas quanto eu, mas com uma diferença: Não fazem questão de se encontrarem. O que é uma pena, mesmo que isso tenha caráter provisório, pois ninguém consegue ficar de olhos fechados por toda a eternidade.
Bonito é quando somos capazes de ter mais um pouco de fé só de olhar as estrelas e sabermos que somos parte delas. E acabamos pensando na maneira como um dia nos separamos delas, para nos tornarmos os seres que as observam silenciosamente alguns bilhões de anos depois. Não abro mão dessa beleza que parece sutil, mas que quando reparamos nela, ela nos toma de tal forma que acreditamos que tudo é possível. Não consigo não achar isso bonito, talvez seja coisa de gente louca pensar nessas coisas, mas se assim for, viva a loucura.
sábado, 18 de agosto de 2012
O labirinto
Fabienne Lin
E mesmo que passem os dias, as noites, os verões e os
outonos do lado de fora da janela, e as coisas mudem relativamente, sempre
acabamos voltando para os mesmos pontos, pelo menos internamente, sabe do que
eu falo?
É quando você acha que é uma nova pessoa, mas depois de um
tempo nota que apenas estava enganando a si mesmo e se sente da mesma forma de
que você tanto quis fugir. Corri pelos corredores em busca das palavras que me
faltavam, não olhei para trás, mas como em um labirinto voltei para o mesmo
ponto de onde saí, sem nem mesmo saber se um dia estive ao menos perto da
saída, da liberdade. E lá vou eu novamente, passar pelos corredores, quem sabe
com um pouco mais de cautela, já que descobri que correr no impulso, só nos faz
cansar sem sairmos do lugar, causa uma falsa sensação de “descomodismo”, se é
que essa palavra existe, se não, me permito inventá-la. Mas vocês entenderam:
falsa sensação de que saiu do lugar, geralmente caracterizada por um momento de
entusiasmo, seguido de nenhuma atitude concreta que realmente mude as coisas.
Ficamos em um eterno “deixar para amanhã” e nunca concluímos nada do que
começamos, isso é cansativo no final das contas: Não fazer nada. O mundo não
fica estagnado até o momento em que tomemos a iniciativa de fazer parte dele, e
se não o fizermos rápido eles passará por nós e talvez seja tarde demais para alcançá-lo.
Mas aqui deixo um pequeno registro de uma nova tentativa, e
lá vamos nós.
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
Once upon a dream
Engraçado mesmo é a forma como adiamos as coisas, adiamos por não reconhecer que a iniciativa é reconhecida, por preguiça e, principalmente por medo.
A insegurança de dar um passo a frente e deixar para trás todo o espaço conhecido, toda a acomodação e o que estamos acostumados nos deixa estagnados. Não nos damos conta que mudanças tem que ocorrer e não vale à pena esperamos que sejamos obrigados à elas, ou esperarmos recomeçar em datas específicas e dizemos "Vou mudar minha vida no próximo ano", "Vou estudar no próximo semestre", entre outras coisas do gênero que frequentemente saem por nossas bocas. A questão é: Teremos que nos adaptar e fazer um esforço para adequar essas mudanças em nós, e o que adianta esperar o dia 1 de janeiro? Teoricamente o esforço será o mesmo, e adiar só vai fazer com que nos ocupemos com coisas que não nos levarão na direção a qual queremos ir, nesse caso pararemos onde a correnteza nos levar, o que pode a chegar a ser patético. Mas essa é a consequência de desistirmos dos nossos sonhos, pelo simples fato de adiar fazê-lo acontecer.
quarta-feira, 11 de julho de 2012
O espelho
Me peguei lendo livros aos quais eu já havia lido, procurando por coisas que eu já havia escrito. Não entendi muito bem o motivo, mas foi algo sutil que me fez refletir sobre a razão disso, justo eu, uma pessoa que tanto aprecia o presente e o que está por vir. Foi quando finalmente me deparei com o sentimento de perder algo no caminho de casa, uma coisa que você simplesmente deixa cair e não se dá conta do que está deixando para trás, uma coisa que você nem se lembra o que é, mas que no final das contas a ausência daquilo te deixa vazio e estranho, como se você tivesse se tornado outra pessoa nesse meio tempo.
Você se olha no espelho vê que algumas coisas melhoraram mas que o olhar está um pouco diferente, cansado e sem a inocência de tempos atrás. Para onde foram os sonhos absurdos em que acreditávamos? Para onde foi o sorriso cúmplice? Nenhuma beleza no mundo é tão importante e bonita quanto a da alegria e da delicadeza, delicadeza de gestos, palavras e segundos. Olhar o rastro que tudo isso formou acaba por nos acalmar, e ao mesmo tempo nos tornar inseguros, onde nos levará o abandono do que realmente importa pelo caminho?
Um conflito irritante de pensamentos e sensações deixa tudo ainda mais incerto, é como um medo de se perder definitivamente no reflexo no espelho e esquecer do que o está encarando. Uma saudade inexplicável das coisas de verdade ao invés das de plástico, das pessoas de verdade ao invés das sintéticas, dos momentos sinceros que acabaram se tornando cada vez mais raros. Hoje me olhei sem a ajuda do espelho e não gostei tanto do que vi, senti culpa por ter deixado a pessoa inocente escapar, por ter deixado coisas tão importantes, pessoas tão importantes de lado sob o pretexto de não ter tempo, mas não havia notado que antes de matar o que eu amo estava matando a mim mesma. Me desenrolo sob uma chuva de desculpas mas sei que desculpas não são máquinas do tempo, infelizmente.
domingo, 10 de junho de 2012
Preguiça, tempo e...
Dia de preguiça, de falta de perspectivas e essas coisas que nos impedem de sair do estúpido lugar de sempre, mas não é de propósito, não exatamente. É uma espécie de falta de forças e de vontade, uma coisa meio estranha na verdade, quando até respirar acaba sendo algo cansativo e um incômodo peso.
Todas as suas forças acabam se concentrando em ilusões de como seria não ser você mesmo, nem que fosse por um tempo breve, algumas férias talvez?
Um tempo para respirar, para olhar o que restou aqui dentro depois de tantos dias transcorridos sem que eu me desse conta da minha própria existência, trabalhando no automático. O problema do automático é que quando você se liga, você acaba percebendo que precisa cumprir as funções de sempre, mas simplesmente não tem mais a força de resistir, qualquer coisa que seja, um sim ou um não. Tanto faz, tudo parece estar naqueles patéticos tons de cinza da rotina.
E você se sente vivendo em uma vida que não é sua, que não é profunda o bastante, não há sonhos o bastante, e nem cores o bastante, uma vida que não é o bastante. Cansei de ser sufocada pelas circunstâncias, e francamente? Não sei o que fazer. Não é fácil se admitir frágil, pelo menos para mim, mas aqui estou eu admitindo minha ignorância e minha momentânea impotência em relação ao sufocamento que ainda sinto.
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Breve reflexão sobre pequenas partes do ser humano
Não acho certo tratar as pessoas apenas por conveniência, meros objetos podendo ser descartados, esquecidos, trocados, pegos de volta e depois jogados no fundo da gaveta. Não é justo, pessoas têm sentimentos e merecem no mínimo serem respeitadas ao invés de manipuladas e diminuídas pelas outras.
Mas o que mais me irrita em tudo isso é a nossa sociedade valorizar essas pessoas, como dizia Renato Russo, "Por que é mais forte quem sabe mentir?". Vemos todos os dias pessoas que pisaram nas outras continuarem por cima, nossa política não poderia ser um exemplo melhor. Porém não é só isso, tudo começa dentro de cada círculo de pessoas, ou para ser mais exata, tudo começa dentro das próprias pessoas individualmente.
Tem de haver algum tipo de justiça, eu sinceramente acredito nela, mesmo que não a vejamos ela tem que existir, senão a terceira lei de Newton, ação e reação, não estaria correta. Todo universo funciona dessa maneira, por que com a raça humana seria diferente? A exceção? Acho que não devemos ser egocêntricos a ponto de acreditar que as leis universais não se aplicam a nós.
Na verdade, eu prefiro manter uma distância segura desse tipo de pessoa que vê as outras como peças para serem manipuladas a fim de conquistar seus objetivos. Não sou do tipo que gosta de ser manipulada, nem que seja pelas circunstâncias.
Para essas pessoas eu reservo minha pena, que mesmo que falem do amor não sabem o que ele é. Estarão sempre concentradas em um jogo de xadrez jogado por apenas uma pessoa, e o que resta é a solidão e as peças, apenas isso.
domingo, 29 de abril de 2012
Um texto sem preocupação com estética, apenas sinceridade e reflexão
Quando sentimos aquela vontade, aquela saudade, de estar falando algo dispensável perto de um bocado de gente indispensável. Rir de algumas besteiras, sem essas coisas que estão nos sufocando ultimamente.
Quero a possibilidade de uma risada sincera, e não uma maldosa ou irônica. Descobri que isso não anda me fazendo bem, já não basta o resto do mundo para nos deixar pra baixo?
Devíamos aproveitar melhor o tempo com quem é importante.
Não achei que ia conseguir levar tudo tão a sério um dia, e devo admitir que não é divertido. Tudo ia melhor, e ocorria mais facilmente quando eu não me preocupava tanto. Descobri o que dá certo pra mim: Deixar que as coisas aconteçam sem apertar nada entre os dedos, pois a matéria do universo não pode ser contida nos dedos do egoísmo.
As coisas não funcionam como pensamos, por mais que a gente insista nos erros. Cuidando de dentro o resto vem naturalmente. Decidi ser feliz, e isso é o que importa.
"As pipas sobem mais contra o vento, não a favor dele." - Winston Churchil
domingo, 22 de abril de 2012
Teatros, luzes e minúcias
Não adianta forçar as pessoas terem uma visão que não querem, e desistirem de ser marionetes em um teatro qualquer em alguma parte do mundo, teatro que é inaugurado com alegria, mas que na maioria das vezes perde a cor. As luzes se apagam, e tudo o que resta são lembranças de alguns dias de glória, que por sua vez também se apagarão. É assim, o público não se lembra de personagens mortos, infelizmente.
É estranho pensar que hoje somos o público e os atores, sendo que amanhã seremos a foto velha guardada na gaveta coberta por aquela espessa camada de poeira típica de tudo o que já não frequenta mais a mente das pessoas.
Quanto tempo deixamos fluir, sem olharmos para o lado com atenção o bastante para vermos quando alguém estende a mão? Apenas fechamos os olhos e deixamos a dor de dentro tomar todo o espaço, caramba isso não é justo, não é justo com ninguém e principalmente com nós mesmos.
Devíamos reparar no sorriso que é direcionado a nós, no abraço de quem se preocupa e na vida em volta de nós, no canto dos pássaros, no escorrer da água e no tocar do vento nas nossas faces, sem complicações. Isso deveria ser o suficiente.
domingo, 18 de março de 2012
Breve loucura
O céu estava roxo, daqueles bem parecidos com os tons de quando se mistura roxo com um pouco de amarelo, em um degradê perfeito até o azul. Um céu como aquele só poderia existir depois de uma chuva torrencial. A minha única reação foi encará-lo como se ele pudesse me ver, pequena estupidez, admito, mas não se pode classificar os sentimentos.
Nenhuma palavra seria capaz de expressar com exatidão a grandeza, a felicidade, a falta de ar ao simplesmente estar ali, a consciência de fazer parte daquilo, ser parte da imensidão do universo repleto de planetas, estrelas, buracos negros e vida, muitas vezes silenciosa e ignorada. Em lapsos de felicidade tento traduzir em palavras o indescritível, mas coisas são alcançadas através de tentativas, assim o dizem.
A brisa trouxe alguma dose de irrealidade ao mexer com meus cabelos, e descobri que a irrealidade é tão maravilhosa e sutil que não pode ser algo inexistente, e sim alguma espécie de realidade aumentada.
Na escuridão tentei encontrar a fonte da batida que tomava todo o espaço, procurei na lua mas vi que o som vinha de mim, o som de algo que batia dentro de mim: Um coração, aquele que eu havia esquecido que estava ali.
O que se ouviu a seguir foi um sussurro, dirigido a ninguém em particular, dizia algo como "Muito obrigado". Abaixei a cabeça e alguma coisa brotou, (quem disse que só se brotam lágrimas?) um sorriso naquele instante parecia apropriado.
- Tahiane Libório.
sexta-feira, 16 de março de 2012
Delírios de uma noite marcada pelo cansaço e melancolia.
Peso, sons de ossos se partindo e últimos suspiros. Ok, talvez os ossos não estejam se partindo audivelmente, assim como as perspectivas. Ninguém ouve, ninguém sabe, ninguém sente. É assim estar em uma multidão e se sentir completamente só, sem nenhuma alma viva disposta a simplesmente viver, ser humana e autêntica sem rótulos e besteiras, competições vazias, ações vazias, frases vazias e vidas vazias. É triste, quando toda a humanidade nas pessoas se transforma em algo mecânico e sem vida sob o pretexto de que está tudo bem, quando não está.
Todos sorrindo por fora e gritando por dentro, me desculpem mas não quero fazer parte desse mundo. Estou me retirando para um mundo à parte chamado eu, pelo menos ali posso sorrir e chorar sem os olhos atentos que julgam e falam de tudo por mais desinteressante que seja, pois não têm nada melhor para dizer mesmo. Cansei do mundo raso, retiro-me no silêncio para não desperdiçar palavras.
Todos sorrindo por fora e gritando por dentro, me desculpem mas não quero fazer parte desse mundo. Estou me retirando para um mundo à parte chamado eu, pelo menos ali posso sorrir e chorar sem os olhos atentos que julgam e falam de tudo por mais desinteressante que seja, pois não têm nada melhor para dizer mesmo. Cansei do mundo raso, retiro-me no silêncio para não desperdiçar palavras.
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