domingo, 22 de abril de 2012

Teatros, luzes e minúcias


Tão presos em nós mesmos, acabamos por nos sufocarmos por sermos incapazes de olhar para fora, reconhecer coisas positivas ao invés de remoer as negativas, afinal elas são inevitáveis. Um pouco de jogo de cintura talvez ajude, como dizem: É mais fácil não se ofender do que perdoar.
Não adianta forçar as pessoas terem uma visão que não querem, e desistirem de ser marionetes em um teatro qualquer em alguma parte do mundo, teatro que é inaugurado com alegria, mas que na maioria das vezes perde a cor. As luzes se apagam, e tudo o que resta são lembranças de alguns dias de glória, que por sua vez também se apagarão. É assim, o público não se lembra de personagens mortos, infelizmente.
É estranho pensar que hoje somos o público e os atores, sendo que amanhã seremos a foto velha guardada na gaveta coberta por aquela espessa camada de poeira típica de tudo o que já não frequenta mais a mente das pessoas.
Quanto tempo deixamos fluir, sem olharmos para o lado com atenção o bastante para vermos quando alguém estende a mão? Apenas fechamos os olhos e deixamos a dor de dentro tomar todo o espaço, caramba isso não é justo, não é justo com ninguém e principalmente com nós mesmos.
Devíamos reparar no sorriso que é direcionado a nós, no abraço de quem se preocupa e na vida em volta de nós, no canto dos pássaros, no escorrer da água e no tocar do vento nas nossas faces, sem complicações. Isso deveria ser o suficiente.

domingo, 18 de março de 2012

Breve loucura



O céu estava roxo, daqueles bem parecidos com os tons de quando se mistura roxo com um pouco de amarelo, em um degradê perfeito até o azul. Um céu como aquele só poderia existir depois de uma chuva torrencial. A minha única reação foi encará-lo como se ele pudesse me ver, pequena estupidez, admito, mas não se pode classificar os sentimentos.

Nenhuma palavra seria capaz de expressar com exatidão a grandeza, a felicidade, a falta de ar ao simplesmente estar ali, a consciência de fazer parte daquilo, ser parte da imensidão do universo repleto de planetas, estrelas, buracos negros e vida, muitas vezes silenciosa e ignorada. Em lapsos de felicidade tento traduzir em palavras o indescritível, mas coisas são alcançadas através de tentativas, assim o dizem.

A brisa trouxe alguma dose de irrealidade ao mexer com meus cabelos, e descobri que a irrealidade é tão maravilhosa e sutil que não pode ser algo inexistente, e sim alguma espécie de realidade aumentada.

Na escuridão tentei encontrar a fonte da batida que tomava todo o espaço, procurei na lua mas vi que o som vinha de mim, o som de algo que batia dentro de mim: Um coração, aquele que eu havia esquecido que estava ali. 

O que se ouviu a seguir foi um sussurro, dirigido a ninguém em particular, dizia algo como "Muito obrigado". Abaixei a cabeça e alguma coisa brotou, (quem disse que só se brotam lágrimas?) um sorriso naquele instante parecia apropriado.

                                                                                      - Tahiane Libório.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Delírios de uma noite marcada pelo cansaço e melancolia.

Peso, sons de ossos se partindo e últimos suspiros. Ok, talvez os ossos não estejam se partindo audivelmente, assim como as perspectivas. Ninguém ouve, ninguém sabe, ninguém sente. É assim estar em uma multidão e se sentir completamente só, sem nenhuma alma viva disposta a simplesmente viver, ser humana e autêntica sem rótulos e besteiras, competições vazias, ações vazias, frases vazias e vidas vazias. É triste, quando toda a humanidade nas pessoas se transforma em algo mecânico e sem vida sob o pretexto de que está tudo bem, quando não está.
Todos sorrindo por fora e gritando por dentro, me desculpem mas não quero fazer parte desse mundo. Estou me retirando para um mundo à parte chamado eu, pelo menos ali posso sorrir e chorar sem os olhos atentos que julgam e falam de tudo por mais desinteressante que seja, pois não têm nada melhor para dizer mesmo. Cansei do mundo raso, retiro-me no silêncio para não desperdiçar palavras.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Um banho...


Banho de sal grosso, banho de lua, banho de mar, banho... De qualquer coisa que tire essa camada espessa de confusão e do que deixou tudo tão pesado. Acontecimentos, sentimentos e pensamentos que parecem pesar mais de 100 quilos, que tornam até o fato de respirar tão difícil, tão descompassado.
O que fica evidente então é a claustrofobia, não suportar ficar preso em uma mente ou num círculo delas. No final das contas você acaba fazendo idiotice só para não mostrar que você se importa, quando se importar é tudo o que você faz, mas não sabe o porquê.
A jaula que todos criaram em si mesmos, confinados em seus próprios problemas e sentimentos, onde não se permitem escutar os gritos de quem está ao seu lado pois se preocupam em gritar mais alto na ânsia de serem ouvidos. A paciência se esgota, você fala verdades grosseiras, as pessoas não lhe entendem e tudo fica pesado e turvo.
Aí vem a hora da nostalgia, da hora em que você se lembra de como tudo era leve e fácil. Como os sorrisos vinham naturalmente e você tinha certeza sobre tudo, de quando você não era um poço de contradições, quando ainda havia alguma razão no que você tinha para dizer. Era tudo tão prático, fácil e sem demais complicações, tudo tão ingênuo, sonhador e infantil... Mas o mundo é naturalmente frio, é uma questão de adaptação fazê-lo um lugar mais aconchegante, talvez um banho trará isso. Um mundo aconchegante com direito a cobertor, cinema, arte, sorrisos, abraços e cheiro de chocolate quente não seria uma má ideia.



domingo, 5 de fevereiro de 2012

Everybody is a lie.

Houve uma época em que não se sabia o que era ser normal, uma época em que coisas como sentimentos exerciam força quase nula e que a confiança era artigo de luxo. Ser normal... era um conceito distante e temido.
Mas algo aconteceu, aos poucos 'normalidade' deixou de ser um conceito e se tornou algo tangível. Sim, era uma coisa temida e com motivos para ser. Se importar machuca, te torna inseguro e coisas mínimas te fazem mal. Talvez a anormalidade representasse um estado de espírito mais feliz ou fosse mais fácil de se lidar. Confiar é perigoso, de uma maneira ou de outra você se decepciona. Talvez a confiança seja levada a outro nível, um nível em que se espera que as pessoas cumpram suas promessas, que sejam sinceras e façam o que você espera delas. Não sei em que momento assimilei ter confiança nas pessoas, mas acho que está na hora de isso ser revertido, uma maneira de proteção. Que seja, o porto seguro de todos começou a se afundar lentamente.
O que é seguro demais pode não ser tão surpreendente, mas correr riscos demais não é tão encantador ou poético: Lindo de se falar e não tão bonito de se viver.
Não digo que riscos são desnecessários. Só digo que esses riscos não devem ser assumidos em relação a pessoas pois elas são imprevisíveis, e sim em relação a atitudes e escolhas próprias.
Muito bem, sou a antiga anormal que não se importa com os sentimentos, nem com os meus e nem com os de quem diz se importar, dizem da boca para fora. Um dos meus personagens favoritos sempre diz 'Everybody lies', mas o certo provavelmente seria ' Everybody is a lie'.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Aquele eu




Sinto falta das tardes solitárias, das palavras articuladas e de tudo que fez parte do que eu fui um dia. Aquele eu que se desgastou, aquele de que eu mais gostava. O eu poeta, o eu completamente sincero em seus sentimentos, o eu certo de suas atitudes.
Aquele eu que sonhava voar e que não tinha medo de cair, o que tinha medo do mundo mas sabia viver bem nele.
Agora tudo se transformou, e eu gostaria de resgatar aquela antiga maneira de ver o mundo, resgatar a pessoa que se afogou em algum momento no meio das preocupações, das inseguranças, das futilidades e das conversas vazias, mesmo que de início não parecessem ser. 
Ainda há esperança de salvar a pessoa adormecida que ainda deve morar em algum lugar por aqui, a pessoa que eu devo lutar para deixar viva, a que ainda dá sinais de existir.
A solução seria deixar de lado tudo o que me desvia  de quem eu deveria ser, mas as coisas não são tão fáceis quanto falar.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Nostalgia na madrugada.


Ai bateu uma saudade sabe? De tudo aquilo de que eu disse um dia.
Daqueles sonhos conturbados, das conversas entrecortadas, dos sorrisos que não tinham fim, das especulações, do perfume dos livros que me levavam pra longe, das músicas que hoje não têm o mesmo efeito.
Como se nada estivesse completo, como se faltasse uma parte. A parte que eu deveria ser, que eu fui um dia talvez, quando eu tinha tempo de ser. Eu perdi toda a noção de tempo, tudo se tornou um lampejo em que não temos muito tempo para pensar, vivemos por instintos e reflexos.
Isso uma hora acaba nos sufocando, e eu realmente me preocupo com isso não sou do tipo que gosta de ser controlada, nem que seja pelas circunstâncias.
A rotina tira a cor das coisas, faz a gente esquecer da nossa essência, do que sempre corremos atrás. Saudade. De ser livre.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Pessoas, superficialidade e blábláblá

Acho que descobri de fato o que mais me irrita nas pessoas. É a superficialidade, não é tão difícil perceber isso nas pessoas, é só olhar se elas sorriem apenas quando os outros estão olhando, se falam demais e não dizem nada. Discursos vazios, palavras sem significado.


Elas olham como se fossem melhores que você, mas eu sinceramente não ligo. Tenho pena, na verdade. Mas o que eu poderia fazer? Creio que nada, a mudança de comportamento cabe apenas a eles, quem sou eu para mudar quem quer que seja?


Mesmo assim não me sinto bem no mundo das aparências, ele me sufoca, me faz mal. Ninguém deve ser tão ruim para se mostrar apenas através de máscaras, nenhuma vulnerabilidade deve ser tão intensa para que precise se mostrar superior, ou até arrogante para escondê-la. Pessoas são assim, frágeis e ao mesmo tempo fortes. Não há trevas onde não exista luz, é só uma questão de observar com o mínimo de atenção, e não acredito que haja luz sem trevas, não nas pessoas. As vezes é tudo tão patético, que parecemos estar em cena, improvisando discursos e inventando pensamentos, tudo para mostrar um conteúdo que está em falta. É irônico, engraçado, patético. Acho que falta palavra para definir melhor: patético.


Prefiro sinceridade à sorrisos forçados, prefiro a verdade em vez de diversos "eu te amo" que não existem.


Em alguns dias, tudo o que precisamos é ficarmos sozinhos, ouvir os pássaros do lado de fora da janela, aproveitar a chuva sem receio em se molhar, sem medo de si mesmo.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Devaneios tolos


Sensação de precisar agir, mas não saber como ou até mesmo não ter forças para tal. É como se passasse por um túnel sem fim, em que eu só visse rostos borrados, culpa da velocidade em que a mente se move.
Vozes ao fundo, não sei porque tenho vontade chorar, pois ao mesmo tempo me sinto envergonhada por não ter motivos para isso, embora vontade não falte.
Caos.
Caos, desorganização, objetos escondidos. Fácil arrumar quando essas características representam um quarto bagunçado, mas não são tão simples quando se tratam de pensamentos fora de ordem.
O movimento repetitivo me deixa tonta, prestes a cair no chão com a sensação de que não irão me reerguer. Vão apenas olhar com alguma expressão de pena, e logo irão esquecer. Todo mundo tem uma parte que ninguém conhece, e essa parte pelo menos em mim, se sente sozinha. Já esteve mais, mas na verdade penso se o nosso mundo é um lugar onde a felicidade plena pode ser conquistada. Plena, não em doses.
Mesmo em doses a felicidade traz a verdadeira cor e o verdadeiro propósito que perseguimos, o motivo pelo qual realmente vivemos e lutamos, mesmo que nem sempre façamos isso da maneira correta.

sábado, 22 de outubro de 2011

Sorriso, reflexos e borboletas


Um sorriso involuntário surge, como um sonho no meio da noite e um suspiro em meio a uma lembrança. A maneira com que as coisas se movem mostram como as engrenagens da vida convergem para lugares estranhos que nunca pensamos que chegaríamos.
Um reflexo, um lampejo de insanidade atravessa a mente e a única coisa que me ocorre é sair correndo numa estrada vazia, com o vento nos cabelos e muitas gargalhadas. Desejo estranho, não?
Efeitos provocados pelos sons, pelas notas nos fazem submergir e emergir na mente que se move tão rápido, e não se desacelera, apenas se acalma e consegue se enxergar. Não se engane, se ver é diferente de se entender. A vida é menos pesada quando sabemos substituir a palavra eu por nós e algumas queixas por obrigado. É só fechar os olhos, não esquecer de que quando éramos crianças tudo o que queríamos era conhecer o mundo, nos lembramos da maneira que gostaríamos de voar apenas observando as borboletas, acreditando que tudo que começasse com Era Uma Vez já havia acabado, um dos poucos equívocos infantis: Não acabou, nem sabemos se já começou.

domingo, 2 de outubro de 2011

Ela sorriu.


Um sorriso torto, sem motivo. Se sentia bem, não necessariamente satisfeita.
Olhou para um lado, não havia ninguém para compartilhar seu sorriso, olhou para o outro e viu a luz, as sombras, reflexos, e vozes ao longe. Mas ela optou ficar ali, onde as vozes não podiam contaminá-la, preferiu ficar onde as lembranças tivessem cores mais vivas e sons mais suaves.
Ela se lembrou de algumas coisas que provavelmente ninguém mais se lembraria, riu mais uma vez de como tudo era engraçado, e até irônico às vezes, mas seu sorriso se recolheu quando se deu conta de que as coisas mudaram.
Mas não importava, estava ali para olhar o passado, nem que fosse por uma janela desfocada em sua mente. Viu como cada sorriso era o paraíso, e percebeu como as coisas sempre parecem ser melhores quando já se tornaram passado e que provavelmente o "agora" parecerá mais bonito em algum futuro próximo ou distante. Lembrou-se dos sonhos, e não entendeu o porque de ter se lembrado da luz do Sol em meio àquelas brincadeiras, histórias e sorrisos. Olhou para o chão no momento em que uma gota caía sobre ele, levou as costas de sua mão até suas bochechas, elas estavam molhadas. Riu mais uma vez, achou engraçado o fato de ser tão frágil mesmo se sentindo tão forte.
Se levantou de seu banco na sacada e andou, andou alguns metros que mais pareceram quilômetros, pois tudo ao redor se mexeu em câmera lenta durante a caminhada. Ela parou perto do lago, olhou o horizonte e se sentiu em paz. Se ajoelhou e viu seu reflexo, estava mais velha do que da última vez em que se via naquele espelho d'água. Talvez tivesse se passado muito tempo, ou talvez o tempo tivesse transcorrido apenas em sua mente e em seu coração. Estava mais madura, disso não tinha dúvida. A vida a havia levado até aquele ponto, parecia insensato voltar ao ponto de partida, e acima de tudo não sabia onde mais seus passos a levariam.
Estava ali, estava calma quando a brisa mexeu em seus cabelos, era como se estivesse fora do mundo, não houve o que dizer, ela apenas sorriu.

Tahiane Libório

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Não mesmo


Está tudo tão estranho ultimamente, é como se eu estivesse me afogando em uma vida que não é profunda o bastante. Os olhos me preocupam e não é só. As frases entrecortadas em tom de brincadeira talvez sejam mais verdadeiras do que aquelas que são ditas no frio das lágrimas, te sinto distante mas talvez a culpa seja minha, ela é minha.
Sinto saudades das risadas, das confidências, das risadas, das doideiras, das risadas... Me desculpe se estive distante, é que de repente eu me vi sozinha e me senti na necessidade de mudar isso e descobri pessoas maravilhosas.
Mas ainda sim sinto falta de você, exatamente como era. Sabe? O problema provavelmente é comigo, você não foi a única que me viu sair do campo de visão, mas é que tudo estava sempre tão confuso, e continua, que eu simplesmente me vi em um beco sem saída, ou melhor, num beco com caminhos demais para que eu escolhesse apenas um. A questão é que eu não quero, não posso, escolher um caminho que você não esteja, um que não tenha todas aquelas risadas e conversas cabeça. Não mesmo.